Dr Marco Flavio Mastrandonakis explica o que e Empatia

Marco Flavio Mastrandonakis

O quê voce sabe sobre Empatia?

Como seres humanos, vivemos em sociedade.
Uma das características mais importantes de nossa vida social, é o da percepção do estado emocional do nosso interlocutor.
Esta característica passa a ser preditiva de ações de terceiros que nos representem ameaça ou segurança.
Em nossos primos,  os primatas, o chefe do clã sorri para qualquer um de seus membros, demonstrando que não irá atacar, ou um individuo estranho ao clã, sorri para sinalizar que não representa perigo para o grupo.
É muito comum a associação de ideias, entre empatia e se colocar no lugar do outro. Para que se possa ter uma visão particular de seu estado emocional e desta forma, tentar antecipar-se às reações de nosso interlocutor.
Porém, as definições são equivocadas. Enquanto a Empatia representa a capacidade de percepção do estado emocional de outrem, colocar-se no lugar do outro representa um ato de Altruísmo. É um ato voluntário. A Empatia pode transmitir informações por via verbal ou não verbal.
Pode-se dizer que a Empatia tem duas irmãs mais velhas. O Mimetismo Facial e o Contágio Emocional. Ao reconhecermos um tom de voz, este pode-nos sugerir uma serie de sentimentos. Pode ser acolhedor ou provocativo. Da mesma forma, podemos ter uma percepção da mímica facial do outro e assim, entendermos, através da reprodução em nosso cérebro, em função dos neurônios espelho, do significado de determinada expressão facial. Este circuito neural, da conexão empática, ocorre nas áreas do Giro do Singulo e na Amígdala cerebral. O que nos leva a agir e reagir, são nossas emoções básicas de medo, alegria, raiva, tristeza e nojo.
Ao conhecermos alguém, em um primeiro contato, uma serie de estímulos captados por meio supra-liminar, transitam inconscientemente e nosso inconsciente formula, em mediarem 4 segundos, se poderosos sentir seguros ou inseguros frente à nova presença. O famoso ir ou não, com a cara da pessoa. Os sentimentos que nos sugerem perigo, tendem a fazer com que passemos a nos utilizar de mecanismos de auto-proteção.
A consequência disso pode ser movimento inverso da empatia. Ao invés da simpatia, podemos assumir estados antipáticos. De repulsão. Nossos cérebros se conectam e podemos ter a capacidade de sentir um ambiente através da chamada Rede Neural Compartilhada. Um conceito novo, que explica a percepção de sentimentos das pessoas num velório, numa festa ou em uma audiência judicial.
O fato é que se colocar no lugar do outro, depende de nossa vontade de eventualmente encontrar sentimentos que não nos sejam agradáveis. Porém, quem tiver essa capacidade de discernimento entre o que encontra no outro e em seu universo pessoal, poderá ter muito sucesso nas relações e cargos de liderança. Não é fácil e tendemos a nos contagiar emocionalmente. Daí, as ações de controle emocional desenvolvidas nas dinâmicas de Rapport são fundamentais no manejo da equipe, grupo ou time. Tentar enxergar o mundo com os olhos de nosso interlocutor é um ato de humanidade, que têm suas consequências emocionais que devem ser devidamente balanceadas para que nossas conclusões e atitudes sejam as mais corretas, dentro de nossos objetivos. Em Medicina, é ferramenta fundamental para poder prever e reparar acoes e sentimentos de nossos pacientes, antes que aconteçam. Assim, consegue-se manter a segurança de nossos pacientes, para que possam aderir aos tratamentos propostos, ficarem mais confiantes nas complicações e assim se curarem mais rápido. Nos tempos em que vivemos, ações de humanidade nunca foram tão importantes.

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